sexta-feira, 6 de março de 2015

De mota pelos Pirinéus II - Betharram


Estrada nos Pirinéus Franceses
Entramos nos Pirinéus franceses pelo Pico de Orhy, procurando fugir às estradas nacionais, mais frequentadas. Queriamos sentir a montanha, perceber como se vive ali, percorrer sem pressa as velhas estradas. Passamos por manadas de vacas e por cavalos que pastavam serenamente nas encostas. O dia estava húmido e a estrada, por vezes, escorregadia. As pequenas cascatas apressavam-se pelos montes abaixo.



No Pico de Orhy
Quando a fome começou a apertar, paramos a mota numa aldeia, onde vimos uma indicação de "Alimentation" escrita na parede. Lá dentro, duas mesas e um balcão de madeira recriavam o ambiente de um episódio do detetive Maigret. E nada para comer... Mais à frente, num bar, lá nos arranjaram umas sandes para enganar a fome. Na televisão, passava um programa local, com informações sobre atividades que iriam decorrer nas redondezas, intercaladas com pequenos apontamentos sobre a língua basca. Passamos o nosso improvisado almoço, muito divertidos, aprendendo palavras e expressões em basco. Infelizmente, não apontei nada e não me lembro de uma palavra.
Regressamos à estrada, no meio de uma vegetação compacta. Aqui, já não há vacas nem cavalos, mas, em contrapartida, deparamos com uma águia, que levantou voo mesmo à nossa frente, olhando para nós, como se nos indicasse o caminho. Pareceu-me um bom prenúncio...
A tarde já vai a meio quando reentramos na estrada principal, que liga Pau a Lourdes. Aí, encontramos à nossa direita o santuário de Betharram. Ofuscado e um pouco esquecido a favor do seu vizinho, o grande Santuário de Lourdes, é, no entanto, um local encantador e cheio de histórias.


O Santuário de Betharram
Conta a lenda que ali se teria dado um milagre: uma rapariguinha, prestes a afogar-se, ter-se-ia salvo pela mão de Nossa Senhora, que lhe teria estendido um ramo a que ela se agarrou, até chegar à margem do rio que por ali corre. Estavamos no século XVII. Mais de oitenta milagres são reportados só durante esse século, sempre por intercessão da Virgem. É então construído o santuário, em estilo barroco, que ainda hoje se pode visitar.


Estátua da rapariga salva pela Virgem
É também dessa época a Via-Crucis, com várias capelas que se espalham pela encosta da montanha. Foram destruídas durante a Revolução Francesa, mas foram depois reconstruídas durante o século XIX.
Em 1837, São Miguel Garicots funda aí a Congregação dos Padres do Sagrado Coração de Jesus. O sarcófago de vidro onde repousa pode ainda ser visto na Capela de São Miguel.


Capela de São Miguel

Quando visitamos o Santuário, estava aí patente uma exposição sobre as perseguições de que os cristãos são vítimas, neste momento, em várias partes do mundo. Todas as manhãs, as televisões passam imagens onde pontuam as atitudes intolerantes e violentas do chamado Estado Islâmico. Infelizmente, o assunto não podia ser mais atual...


Velha ponte sobre o rio em Betharram


Um passeio pelo Vale do Varosa

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