quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Auschewitz - A indústria da morte

A entrada do campo de Auschetwitz 1, com a sua célebre frase Arbeit Macht Frei.
Neste ano em que se comemoram os 70 anos da libertação de Auschewitz e do final da 2.ª Guerra Mundial, tive a possibilidade de visitar aquele que é o mais famoso e mais temido campo do complexo concentracionário nazi. 

As torres de vigilância
Na verdade, o campo é um conjunto de três campos com funções diferentes:
- Auschewitz 1 - Campo de concentração.
- Auschewitz 2 - Campo de extermínio.
- Auschewitz 3 - Campo de fornecimento de mão de obra escrava para o complexo industrial próximo.
O terceiro já não existe, mas os dois primeiros são visitáveis e dão-nos uma boa ideia do inimaginável.

Cercas eletrificadas
O campo de concentração de Auschewitz é hoje um alargado espaço museológico. Tendo mantido muitas das suas estruturas, ainda é possível visitar os barracões, as salas de interrogatório e as celas de detenção, a zona da forca e a parede de execução, o edifício das experiências médicas. 

O muro de execução

Em muitos desses espaços, há cartazes, fotografias, desenhos, que explicam e enquadram os horrores que ali se passavam.

Fotografias tiradas pelos Nazis

Há salas e salas cheias com os bens que eram retirados aos prisioneiros: das malas aos sapatos, dos estojos da barba às próteses e membros artificiais. Tudo reutilizável, na ótica nazi!

Próteses e membros artificiais
Há uma sala com toneladas de cabelo de mulher, cabelos loiros, negros, grisalhos, tranças, caracóis... Do outro lado da sala, uma vitrine exibe um rolo de tecido fabricado com este material humano.
Todo o complexo foi cencebido para a mais completa e eficiente extorsão dos milhões de prisioneiros que por ali passaram: eram espoliados dos seus bens, depois era-lhes sugada a força de trabalho, a energia de viver, a personalidade, até lhes ser retirada a própria vida e utilizados todos os componentes do seu corpo. É esta organização industrial da morte o que mais impressiona em Auschewitz.

O único forno crematório que se manteve
Há uma pequena sala de cinema onde é exibido, regularmente, o filme que os soldados soviéticos rodaram à sua chegada ao campo. É importante vê-lo, para que não seja possível negar o que ali acontecia.

Um dos vagões de transporte de prisioneiros
O campo 2, Auschewitz-Birkenau, era o maior dos campos de extermínio. Ao contrário do campo 1, pouco aí resta: dos barracões só restam algumas estruturas, as câmaras de gás foram parcialmente destruídas, assim como os fornos crematórios. 

O que resta das câmaras de gás de Birkenau
Mas resta a linha do comboio. Quando passamos pela temível entrada do campo e nos colocamos no final da linha do comboio, nas mesmas plataformas que vimos nas fotografias de Auschewitz 1, cheias de gente cansada e desorientada, onde um médico brinca de Deus, selecionando os que vão morrer já, dos que vão sobreviver mais algum tempo... assalta-nos uma terrível angústia, misturada com a eterna questão: como foi possível?

A entrada do campo de Birkenau
Uma visita a Auschewitz mergulha-nos na possibilidade do inferno na terra. Há sempre qualquer aspeto que nos nos marca, como uma bofetada na nossa humanidade. E cria-nos um sentimento de urgência: aquilo nunca mais pode ser possível!


Placa memorial escrita em ladino, a lingua dos judeus sefarditas de origem portuguesa.

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