segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Israel: uma teia de culturas


No norte de Israel, mesmo junto ao Mar Mediterrâneo e à fronteira com o Líbano, há um promontório que avança sobre o mar. É constituído por pedra de grês, semeada de pequenos pedaços de sílex, o que lhe dá um aspecto de claras batidas em castelo com pedacinhos de chocolate. Naquelas rochas facilmente moldáveis pelo mar e pelo vento, nidificam várias aves e tartarugas, e formou-se um conjunto de grutas e túneis onde a água bate e redemoinha,e a luz cria reflexos e tonalidades inesperadas. Esse promontório é Rosh Ha-nikra.

O promontório de Rosh Ha-nikra

Apesar de ser um sítio belíssimo, não se vêem muitos turistas, talvez por ser um local de fronteira, problemático e altamente vigiado. No cume do monte, há guaritas, e barcos de guerra israelitas patrulham o mar. Mas vamos abstrair-nos disso, enquanto o mais curto e íngreme funicular do mundo nos deixa à entrada das grutas. Há uma lenda, claro, de uma princesa turca que, transportada por aqui a caminho de um casamento forçado em Tiro, se atirou das rochas e, agora, continua a fazer ouvir os seus choros e lamentos nas reentrâncias das rochas.

No mais pequeno funicular do mundo

Não consigo ouvir os seus lamentos mas, enquanto aprecio os reflexos da luz na água revolta, penso nos lamentos de muitas outras populações que aqui se confrontaram, ao longo dos séculos. Ainda se podem ver os restos de um túnel para caminho-de-ferro aberto pelos colonizadores britânicos e feito explodir pelos resistentes judeus durante a Segunda Guerra Mundial. Espero que os confrontos humanos não acabem por destruir esta maravilha da Natureza, que não tem culpa de existir junto a uma das fronteiras mais instáveis do mundo.

Os locais de nidificação

À medida que descemos, junto à costa, vamos entrando na Israel da modernidade.
S. João de Acre (ou Akko) é já uma cidade diferente, habitada essencialmente por Árabes, mas que se mostra como uma encruzilhada de povos e culturas. Aí, são os complexos conjuntos monumentais dos Cavaleiros Hospitalários, construídos durante as Cruzadas, que dominam a paisagem da cidade, lado a lado com as mesquitas e os banhos sumptuosos construídos pelos Turcos. Continuando para Sul, entramos em Haifa, com o seu porto movimentado e os seus jardins tranquilos.

O porto de Haifa visto dos Jardins Baha'i

Depois, surge Telavive. A capital económica de Israel é uma cidade vibrante de vida. A avenida marginal faz lembrar Copacabana, com os seus grandes prédios, modernos, de um lado, e a longa praia do outro lado. Abundam os bares de praia, as banhistas atravessam a avenida em trajes de praia, coloridos e reduzidos, e qualquer semelhança com Jerusalém é pura coincidência.

Avenida marginal de Telavive

Ao fim e ao cabo, é isto Israel: uma complexa teia de culturas e modos de viver, em que todos os grupos consideram que têm direito ao seu espaço. E têm, claro! E têm o dever de aceitar os outros, para poderem também eles ser aceites.

Israel, Julho / Agosto de 2009 (Fotografias de Teresa Ferreira)

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