segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Nova Iorque multicultural


Um dos traços distintivos e interessantes de Nova Iorque é a sua multiculturalidade. Não é preciso ir a Ellis Island, ao seu Memorial ao Emigrante, para nos apercebermos que estamos perante uma sociedadee colorida e múltipla, onde cada um traça o seu caminho. Os tons de pele são as marcas visíveis das culturas que por ali se cruzaram e enraizaram, desde que, no século XVII, os holandeses compraram aos Índios a ilha a que chamamos hoje Manhattan, para aí estabelecerem uma feitoria. Holandeses e ingleses são os primeiros senhores da ilha e marcaram-na indelevelmente, nos edifícios e nos parques, nos desportos e na organização administrativa. Encontramos a sua memória na Trinity Church e nas campas centenárias que a rodeiam e que escaparam miraculosamente à destruição de 11 de Setembro.



      (Cemitério junto de Trinity Church)                        (Ao fundo de Wall Street,Trinity Church) 
Depois, começaram a chegar os imigrantes dos países católicos, mais pobres, do sul da Europa, particularmente irlandeses e italianos. Os irlandeses constituíram uma comunidade forte, que se organizou e cresceu economicamente. Foi com o seu apoio que foi construída a mais rica igreja de Nova Iorque, a Catedral de St. Patrick. Já os italianos aglomeraram-se na zona de Little Italy. Hoje estão plenamente integrados na sociedade americana e Little Italy é um local turístico, cheio de restaurantes italianos e lojas de recordações.

          (A rua principal de Little Italy)                        (Numa loja de recordações...)
Uma das comunidades americanas mais antigas é, evidentemente, a comunidade negra. Descendentes dos antigos escravos ou de imigrantes africanos, têm deixado uma marca importante na cultura americana. O seu talento natural para a música faz com que os encontremos frequentemente, em grupo ou sozinhos, nas ruas de Nova Iorque; muitas vezes cantam fazendo várias vozes e ritmos, em espectáculos inesquecíveis. Quando procurava os vestígios dessas vozes no Harlem (a casa de Billie Holiday, a Abyssinian Church), caímos sem saber no meio de um enorme festival, com vozes magníficas a ecoarem em vários palcos simultâneos. Foi uma tarde que dificilmente esqueceremos.



                            (Fazendo música, frente ao MET)                               (Festival no Harlem)


Também há, evidentemente, Chinatown. Uma visita a Nova Iorque não fica completa sem um passeio por Chinatown. É um espaço estranhíssimo, onde encontramos a vivência dos bairros orientais com todos os símbolos da cultura americana. Tudo está escrito em chinês e, ao contrário de Little Italy, nota-se que ainda é um espaço vivido.

(Chinatown)


A migração mais recente é a dos países hispânicos sul-americanos. Mexicanos, porto-riquenhos, colombianos, encontram-se um pouco por todo o lado e distinguem-se pela língua, pela pele morena, mas, principalmente, pela maneira de ser alegre e calorosa. Predominam nos cafés “Starbucks” e nas lojas de comida abertas 24 horas, e recebem-nos como se fossemos conhecidos de longa data.



(Starbucks Coffee shop)


Creio sinceramente que é esta diversidade que faz a riqueza dos Estados Unidos da América, um país onde cada pessoa sente o desafio de traçar o seu próprio destino.


(Fotografias de Teresa e Fernando Ferreira)

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